Homenagem à Fernando Vitor

O ambientalista e documentarista Fernando Vitor produziu um legado de importantes registros que são atos de memória da luta ambiental e da história de Diadema-SP.

O olhar preservado

A poesia audiovisual de Fernando Vitor impressiona até hoje. Resguardada no Arquivo Fernando Vitor, os registros possuem uma incrível diversidade: filmes Super 8, fotos, negativos, slides, 2100 recortes de jornais (1966 – 1991), 21 documentos de autoria ou coautoria do titular, 169 colunas e matérias assinadas em jornais e revistas e 15 dosséis sobre questões ambientais e da política local. A história de Fernando Vitor está disponível neste Arquivo para que a sua memória seja dignificada e sirva de pesquisa e inspiração às futuras gerações.

Mas quem é Fernando Vitor?

Fernando Vitor nasceu no Rio de Janeiro em 1943. Seus pais eram descendentes de portugueses e passou sua infância e adolescência no bairro da Tijuca.

Ainda criança, Fernando Vitor conviveu com uma família de japoneses levou-o a praticar judô e a familiarizar-se com os hábitos e com a cultura oriental. Aos 19 anos falava, lia e escrevia fluentemente em japonês.

Aos 17 anos era faixa preta e vice-campeão carioca de judô. Foi o envolvimento com o judô que o trouxe a São Paulo, veio para cá treinar com melhores mestres, buscando o aperfeiçoamento no esporte.

Em 1963 casou-se com Kinue Uehara, descendente de japoneses, mudou-se para São Bernardo do Campo, foi trabalhar no laboratório químico da Volkswagen e à noite dava aulas de judô no bairro da Liberdade em São Paulo.

Em fevereiro de 1965 mudou-se para o Bairro do Eldorado, em Diadema. Eldorado era um bairro com algumas chácaras e casas de campo, cercado de muito verde e pelas águas limpas da Represa Billings.

Em 1968, fundou a primeira academia de judô da cidade – “Diadema Bunka Kio Kay”.

Em 1969, com outros moradores de Eldorado, fundou a Comissão de Defesa da Represa Billings, que iria presidir por 20 anos.

O envolvimento com a política partidária teve início em 1972, quando um morador de Eldorado, o engenheiro e industrial Ricardo Putz, foi lançado candidato a prefeito pelo MDB.

Putz ganhou as eleições e Fernando Vitor assumiu a tarefa de implantar o Departamento de Serviços Urbanos.

Em sua vida tinha paixão por registrar acontecimentos, paisagens e a natureza ao seu redor. Em 1974 adquiriu uma filmadora Super 8 e passou a registrar imagens da cidade, seus problemas, sua gente.

No início de 1975, rompeu com o então prefeito Ricardo Putz, retomando ao trabalho na indústria siderúrgica, mas prosseguiu participando da política local.

Em 1976 elegeu-se vereador em Diadema pelo partido Movimento Democrático Brasileiro – MDB.

Cultura, Educação e Meio-Ambiente seriam as suas prioridades. Mas, a luta pela preservação da Billings, do meio-ambiente e o combate à corrupção deram a tônica do mandato de vereador que durou 6 anos.

Neste período continuou a registrar imagens fotográficas e filmar em Super 8 – produzindo audiovisuais em pequenos filmes sobre as questões que estavam em debate; ele é um pioneiro no cinema na cidade – realizou registros singulares, únicos – de uma cidade em construção.

Foi presidente da comissão de defesa da Represa Billings, vice-presidente da associação Paulista de proteção à natureza, Membro fundador da comissão de defesa do patrimônio da comunidade e membro do conselho estadual do Meio Ambiente.

Entre 1977 e 1984 houve um intenso debate sobre a política de saneamento ambiental e de planejamento dos recursos hídrico para a grande São Paulo.

A polêmica foi provocada pela substituição e paralisação do Plano Diretor de esgotos solução integrada, iniciada em 1974.

Fernando Vitor liderou a luta contra o SANEGRAN e pela preservação da Represa Billings. Em 1979 – Fernando Vitor e seus companheiros perderam na Justiça a ação popular movida contra o governo do Estado, em defesa da Represa Billings. Porém, em 1982, o SANEGRAN mostrou-se inviável e já estava praticamente paralisado.

O olhar de Fernando Vitor em registrar a cidade de Diadema, foi importante para gerar informações audiovisuais de uma cidade que tem sua força na mão do trabalhador e da trabalhadora.

Entre 1983 e 1984 tornou-se consultor da CETESB e membro do Conselho Estadual do Meio Ambiente. Porém mudanças na política de recursos hídricos durante o Governo Montoro e a volta do bombeamento de esgotos para a ‘Represa Billings, levaram Femando Vitor a polemizar e se contrapor a esta mudança na política do Governo do Estado.

Graves problemas de saúde levaram-no a um gradativo afastamento das atividades políticas nos últimos anos da sua vida. Morreu no interior de São Paulo em 1991.

As lutas e os ideias do ambientalista, cineasta Fernando Vitor estão registrados para sempre.

E o FESTCIMM reconhece a grandeza deste homem cuja ação reverbera até hoje porque são generosidades motivadas de amor e solidariedade em que a arte e o meio ambiente tornam-se mais próximos de nós todos.

Parabéns Fernando Vitor!

Assista ao filme do Homenageado Aqui

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