CURADORIA

MOSTRA BRASIL

 

João Paulo Campos é crítico, pesquisador e programador de cinema. Tem se dedicado ao estudo do cinema brasileiro contemporâneo na Universidade de São Paulo, com ênfase na obra do cineasta Adirley Queirós. Integra a diretoria colegiada da Associação de Documentaristas e Curtametragistas do Brasil – São Paulo (ABD-SP). Faz parte do coletivo Zagaia (SP), colaborando na edição e redação da Zagaia em Revista. Entre 2016 e 2020, foi redator da revista de cinema Rocinante (MG). Trabalhou como curador e assistente de curadoria de mostras, cineclubes e festivais, como cinefronteira (MG), cinecubo (SP), Mostra de Tiradentes (MG) e São Paulo – Cinema Anônimo (SP – MG).

Gustavo Maan – Estudante do Curso Superior do Audiovisual na ECA USP. Compõe a equipe de curadoria do CINUSP – Paulo Emílio. Escreve e edita a Zagaia em Revista.

MOSTRA INTERNACIONAL

Oliver Stiller estudou Administração Internacional. Depois de realizar curtas-metragens como “Vagabund”, ele está atualmente escrevendo um roteiro para o filme cênico-alemão-mexicano “Das Leben hat noch Schulden”. O curta de documentário “Esperanza 43”, dirigido por Oliver Stiller sobre os estudantes seqüestrados e provavelmente assassinados de Ayotzinapa / México ganhou o German Movie Award (Deutscher Menschenrechts- Filmpreis) em 2016 na categoria curta-metragem “Exodus.

 

MOSTRA ANIMAÇÃO

 

Augusto Bozzetti é doutorando em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e mestre pelo mesmo programa. Graduado em Produção Audiovisual pela Universidade Luterana do Brasil (2015), foi sócio diretor da Cartunaria Desenhos entre 2003 e 2015, onde produziu trabalhos de animação comerciais e autorais para a TV e o cinema, com ênfase na série X-Coração (2014), com exibição nos canais TV Brasil e Disney XD. É roteirista e diretor do longa-metragem de ficção Eu não vou dizer eu te amo (2015) e fundador da produtora 2Z2T Filmes. Foi Coordenador de Formação do CAV – Centro Audiovisual de São Bernardo do Campo entre 2018 e 2019.

MOSTRA FOCO: PERNAMBUCO

 

Amanda Ramos é cientista social (UFRPE), pós-graduanda em Educação Ambiental e Cultural (IFPE), curadora audiovisual, produtora e educadora em mostras e festivais de cinema. Atualmente também é técnica de promoção dos direitos das mulheres na Secretaria da Mulher do Recife. Na curadoria de filmes trabalhou em projetos como o cineCabeça (2010), Às Escuras – Mostra Erótica de Cinema Acessível, Semana Arte Mulher, Curta na Serra – Mostra de Cinema ao Ar Livre e na Periférica – Mostra de Cinema de Camaragibe (2019). Também participou da equipe curatorial de mostras competitivas de festivais, como o Festival de Cinema de Triunfo (2016 e 2019), o Festival de Curtas de Pernambuco – FestCine (2017) e o Curta Taquary – Festival Internacional de Curtas-metragens (2018 e 2019). Contribuiu com as curadorias dos cineclubes AZouganda (Nazaré da Mata), Banquete (Recife), Curta Doze e Meia (Centro Cultural Correios), VouVer Filmes (Instituto dos Cegos de PE) e CasaFarol (Amaro Branco, Olinda). Além disso, já integrou júris de mostras competitivas em diversos festivais de cinema, incluindo a edição de 2020 do FestCiMM Garanhuns. 

MOSTRA NO MEIO DA NOITE

 

Caio Luiz nasceu em Santo André, fez parte da primeira turma do Centro Audiovisual de São Bernardo e é formado em jornalismo. Atuou como repórter cultural no extinto jornal ABCD Maior por cinco anos, periódico focado no dia a dia da região do ABC Paulista.

No segmento audiovisual, realizou uma série de roteiros para curtas-metragens, vídeos institucionais e clipes. Atualmente é repórter do Jornal Destak e escreve sobre música, cinema, quadrinhos e livros.

MOSTRA LONGA METRAGEM

 

Ricardo Peres é Diretor, Diretor de Arte e Fotógrafo, é sócio da Araweté Filmes, e fundador da Septembre Filmes. Professor de Direção e Direção de Arte no Instituto de Cinema. É um dos idealizadores do Cinema Instantâneo, um movimento cinematográfico que busca maneiras viáveis de produzir.

Mostra Brasil de Curtas-Metragens 

 

A curadoria da Mostra Brasil de curtas-metragens enfrentou o desafio de se desviar da elaboração de sessões simplesmente temáticas. Isso significa, na prática, que buscamos aproximar as obras a partir da comparação de elementos formais entre os filmes, não apenas estabelecendo pontos de ressonâncias entre os curtas, mas também produzindo dissonâncias pontuais em cada sessão. Nossa proposta oferece ao público uma perambulação entre emaranhados de filmes que se aproximam mas também se confrontam, possibilitando por meio dessa série de choques, que o público produza reflexões insuspeitadas a partir de sua jornada de fruição. Esta escolha pode causar desconforto àqueles que preferem caminhar em linha reta, mas é uma aposta que levamos em frente como um gesto experimental de curadoria.

Experienciamos agora um tempo histórico em que nossas memórias e interações são cada vez mais mediadas pelo audiovisual, o que não nos leva necessariamente à formas harmônicas de rememoração e ação. Diante de um mundo em que grandes empresas de comunicação ditam as regras de nossa relação com as imagens, filmes de curta duração enfrentam a tarefa sisífica de disputar a atenção das pessoas em meio à miríade de vídeos em plataformas como Instagram, Youtube e Tik Tok. Trata-se de um campo de batalha não anunciado, ainda que existente. Essa programação é organizada a partir da convicção de que o curta-metragismo pode se apresentar como uma contra-ação ao vício formal de nossas formas expressivas contemporâneas, capturadas massivamente por tais plataformas.

A mostra é dividida em quatro sessões: 1. Clausura: filmes de pandemia; 2. Naturalismo; 3. Mnemosine; 4. Hiper-Realidades. São 16 filmes ao todo, sendo 7 obras realizadas por mulheres e 9 por homens. 5 curtas são de Minas Gerais; 4 de São Paulo; 3 do Rio de Janeiro; 1 da Paraíba; 1 do Paraná; 1 do Amazonas; e 1 realizado entre Minas Gerais e São Paulo. A sessão 1. Clausura: filmes de pandemia acolhe obras realizadas no contexto de isolamento social imposto pelos desdobramentos da pandemia de covid-19 no Brasil. A sessão 2. Naturalismo apresenta filmes narrativos construídos ao estilo naturalista de mise en scène. A terceira sessão, intitulada 3. Mnemosine é composta por curtas-metragens que nos oferecem perspectivas em torno do compartilhamento de memórias pelo cinema. A última sessão, intitulada 4. Hiper-realidades, oferece ao público filmes que fabulam ludicamente a partir da realidade, o que inclui não apenas ensaios fílmicos, mas também obras narrativas que instauram espaços de meditação em torno da vida social.

Com essa mostra, pretendemos oferecer ao público uma viagem por diferentes lugares e histórias para que possamos, no atual momento de isolamento social, imaginar futuros possíveis para a vida, em geral, e para a criação artística, em particular. Precisamos, a todo custo, continuar criando imagens para o amanhã. Caso contrário, o que nos espera é a contínua desmemória de nós mesmos, acelerada a todo momento por um funcionamento social que, apesar de perdurar longiquamente, sempre se fantasia com o véu da novidade.

 

João Paulo Campos

Gustavo Maan

 

 

 

Mostra Animação

 

Há não muito tempo atrás, fazer animação no Brasil era coisa para poucos. Não era só o custo altíssimo do material e maquinário necessários ou a dificuldade de acessar o know-how técnico que afastava potenciais animadores dessa arte, mas também a completa inexistência de uma cadeia produtiva que tornasse possível alguém se desenvolver e, principalmente, sobreviver nesse meio. Fora alguns desbravadores (as exceções que confirmam a regra), a animação brasileira do séc. XX esteve em boa parte restrita ao mercado publicitário, ou seja, se você queria fazer animação, principalmente como um meio de vida, ia acabar fazendo comerciais de TV. Peça a algum animador “das antigas” pra te mostrar o seu portfolio e lá estarão o franguinho da Sadia ou o tiozinho azul do Cotonetes, entre outros. Não há dúvidas de que a publicidade foi uma grande escola. Em alguns lugares, o animador brasileiro é reconhecido até hoje por sua versatilidade e capacidade em se adaptar a estilos diferentes e prazos insanos, qualidade, no entanto, muito mais valorizada quando o assunto é a mão de obra (barata).

            O séc. XXI trouxe certas transformações que impactaram o setor da forma como hoje o percebemos, promovendo alguns avanços mais perenes e outros que ainda apresentam um enorme grau de instabilidade, apesar de todos os esforços da classe para evitar os retrocessos. Dessa maneira, temos na tecnologia, mais precisamente no advento do computador, hardwares e softwares, aliado à internet, um fator determinante para democratizar o acesso não apenas ao saber fazer, mas é claro, ao fazer em si. Se até pouco tempo atrás o meio era restrito à pessoas ou empresas de maior poder aquisitivo, agora há um novo público, mais amplo e horizontal, se aventurando na animação, cuja questão econômica não é mais uma barreira tão decisiva.

Mas a tecnologia digital não pode fazer tudo sozinha. Aliás, vários outros países puderam experimentar, muito antes do computador, uma realidade onde já era possível que um jovem artista sonhasse em ser animador, em viver de sua arte, em desenvolver-se técnica, artística e economicamente até poder decidir entre essa ou outra profissão, não porque é obrigado, mas porque quer. Em todos os lugares onde isso era possível muito antes de ser no Brasil, havia, de alguma forma, um arranjo e uma organização multisetorial que alguns chamam de “indústria” e que aqui só passou a se esboçar há pouquíssimo tempo atrás.

            A partir de meados dos anos 2000, o Brasil presenciou o surgimento de iniciativas estratégicas, algumas das principais provenientes do poder público, que impactaram em outros dois pontos cruciais para o boom de produções que hoje testemunhamos. De um lado, o ensino da animação, seja dentro de cursos de cinema ou em cursos próprios e específicos, espalhados desde os cursos livres, os profissionalizantes, mas também – e mais importante ainda – os universitários e, de outro, a regulação do mercado, potencializando a demanda de conteúdo nacional e ofertando os fundos necessários para a produção destas obras, o que rapidamente criou algo que já podemos até chamar de “mercado brasileiro de animação”.

            Voltamos aqui à ideia de uma cadeia produtiva, onde o profissional tem acesso à tecnologia, ao conhecimento (e o desenvolvimento através do estudo) e a um mercado que pode até ser o publicitário, mas pode também ser o de séries de TV, o de longas-metragens e salas de cinema, o das webséries, etc. Até mesmo não dando vazão comercial à arte, o animador passou a ter em novos e numerosos festivais uma oportunidade de fazer circular obras como curtas, videoclipes, e filmes experimentais de toda ordem que encontram seu público, reforçam uma rede de contatos e carregam para frente a animação nacional em suas diferentes versões e possibilidades.

            Ter a oportunidade de participar da curadoria da mostra de animação do FestCiMM 2021 me colocou em contato com um extrato importante dessa cadeia que, mesmo em um tempo de notórios retrocessos, ainda ecoa todos estes movimentos realizados no país para nos tirar da idade da pedra da animação e nos dar alguma perspectiva. A importância das obras inscritas neste festival (mesmo as não selecionadas) não está apenas na quantidade – esse é só um primeiro sinal dos avanços – mas, principalmente, na sua diversidade. O Brasil, todos sabem, é um país de dimensões continentais, multirracial e de culturas tão ricas quanto díspares, mas para além dos temas que obviamente refletem e dão a ver essa qualidade daquilo que é ser brasileiro, há uma diversidade para a qual minha atenção foi especialmente tomada, que é a dos diferentes estágios ou das diferentes variantes do animador brasileiro em si.

Temos aqui, desde o artista iniciante, o autodidata, passando pelo estudante formal, até o profissional já formado, seja ele de viés mais autoral até o mais comercial. Alguns demonstram mais influência de certo estilo ou gênero, alguns ainda repetem consciente ou inconscientemente certos códigos absorvidos durante o período de colonização do audiovisual estrangeiro, enquanto outros já estão mais concentrados na tarefa de mesclar as influências com suas próprias qualidades. Todos, sem exceção, são um exemplo de como uma cadeia produtiva age, diferenciando-se e movendo-se em diversas direções, porém (esperamos) nunca para trás. Foi à essa qualidade diversa que tentamos dar a ver na seleção oficial dos filmes, ao propor um retrato que de alguma forma desse conta de uma realidade que precisa ser compreendida mais em função de sua heterogeneidade do que de qualquer outra coisa. É claro que por uma questão de tempo de programação, algumas obras acabam ficando de fora, o que se torna uma tortura para quem as seleciona, fato que se traduziu nas inúmeras diferentes versões da lista final antes do martelo ser batido. 

Fica assim, na palavra de quem já teve seus filmes selecionados, mas também, muitas vezes, preteridos em seleções como esta, a certeza de que este é um problema bom. Produzimos hoje mais filmes do que um único festival pode exibir, filmes que sugerem o rápido amadurecimento do setor em nosso país e que contemplam, acima de tudo, a caráter democratizado e multifacetado em que este momento está se dando. É preciso estar atento e forte para os resultados que a situação atual, os retrocessos já citados, produzirão no futuro próximo. Os filmes precisam continuar a serem feitos, assim como os festivais precisam continuar existindo para que eles sejam exibidos. Esta seleção é apenas uma ponta pequena desta cadeia, que alimenta e é alimentada por outras mais. Que possamos seguir assim, nos reunindo em torno dos filmes, e que os eventuais passos dados para trás sirvam apenas de um recuo momentâneo para darmos muitos mais adiante. Vida longa ao FestCiMM e à animação brasileira.

Boa sessão a todos e aproveitem, pois os filmes são lindos!

Augusto Bozzetti

 

 

Mostra no Meio da Noite

 

Se você correu, correu, correu tanto e não chegou a lugar nenhum…

Baby! Ou, baby! Bem-vinda(o) ao século 21!

Esse refrão veio de uma música do Raul Seixas feita em parceria com o Marcelo Novas, dois baianos roqueiros que sacaram que a história, assim como o mundo, funciona em círculos que se repetem em vez de uma linha reta com começo, meio e fim.

Então, cá estamos, em mais uma edição da Mostra No Meio da Noite. É o terceiro ano consecutivo que tenho o prazer de ser curador dessa seção, que se tornou o espaço do FESTCIMM devotado aos gêneros de horror, sci-fi, arte experimental e tudo mais que saia de qualquer vertente convencional do cinema.

Olho para 2019 e lembro que grande parte do conteúdo que visualizei denunciava o medo de mulheres, especialmente negras, do feminicídio, do assédio e do estrupo. Em 2020, o tema ainda se sustentava, mas as críticas ao comportamento do atual governo frente à condução do país junto ao ônus do desenvolvimento tecnológico vieram muito à tona.

O lance é que em 2021 o número de filmes saltou de mais ou menos 20 obras para 92 e eu garanto que assisti todas. Isso me torna um privilegiado porque depois de ver dezenas de curtas nacionais contemporâneos me sinto capacitado a relatar o zeitgeist do momento que vivemos pela visão dos cineastas.

Quando o apocalipse se instaura no planeta e percebemos que ele se desdobra em parcelas nada suaves, em vez de acabar tudo de uma vez com uma bola de fogo horripilante vinda do espaço, percebe-se que a distopia é a real face do fim do mundo. O armagedon não é como imaginávamos. Os cavaleiros do apocalipse estão no Palácio do Planalto, o chão não se abriu em fendas abismais e o céu não ficou vermelho.

O mal da pandemia é invisível, silencioso, e as milhares de mortes ocorrem em salas brancas em vez de haver pilhas de corpos empilhadas e empaladas nas avenidas. Como um cineasta retrata o medo – o horror, o terror, o mal, as aflições que nos acometem – se ele se manifesta na forma de um vírus ou de ideologia; elementos desprovidos de corpo?

A pandemia e os rumos políticos do Brasil e do mundo revelam que nós somos a origem dos nossos próprios medos. O problema é que isso não é novidade. Desde o início da consciência humana, de tempos em tempos, a noção de fim dos tempos se avizinha e invariavelmente a culpa recai sobre os ombros dos seres dotados de livre arbítrio.

A mostra de 2021 é um reflexo do isolamento. No Meio da Noite desse ano pode ser retratado como um indivíduo em casa, esfolando os miolos contra a parede da solidão, brigando para manter o controle da própria sanidade enquanto tenta existir e mudar o mundo por meio da internet.

A questão da violência contra a mulher, o descaso do governo com o Brasil, o meio ambiente deteriorado e a intensificação descomunal da tecnologia só se aprofundaram e isso respinga na mostra. Entretanto, produções de cunho mais individual, com poucos cenários e atores escancaram que o isolamento nos uniu como bilhões de solitários aguardando o fim do fim do mundo.

E esse é o problema. Passado tanto tempo de pandemia, nota-se algo surreal e bizarro. Como prega a banda do ABC Paulista Krias de Kafka em uma de suas célebres composições, “o mundo não acaba nunca”. Ele simplesmente prossegue, mesmo que todo fodido, e talvez esse seja o maior medo da humanidade. A repetição sucessiva de fins do mundo a perder de vista é apavorante. Viver, construir civilizações inteiras, superar o conhecimento dos antepassados não nos impede de incorrer nos mesmos erros que foram registrados nos livros de história. É pura poesia obscurantista. A obrigatoriedade dos que sobram de reconstruir em cima de escombros, de se virar como empreendedores das ruínas, é um cenário desolador.

Observe a produção audiovisual pós-apocalíptica comigo e veja se não faz sentido.

 

Caio Luiz

 

 

Mostra Foco: Pernambuco

 

Fizemos uma boa colheita do que foi plantado no cinema pernambucano do final de 2019 a 2020 e trouxemos para a plataforma do Festival de Cinema no Meio do Mundo edição Garanhuns, 2021. Neste local nos encontraremos com um recorte acerca das produções mais recentes do cinema independente e curta-metragista feito por realizadoras e realizadores que vivenciam os interiores geográficos de Pernambuco e fazem seus filmes a partir de e nesses territórios. 

 

Na trajetória do colher e degustar, alumiamos caminhos pelos quais o cinema interiorano tem percorrido nos últimos tempos. Desta seleção fazem parte dez curtas-metragens de ficção, animação, documentário e experimental, originários da mata, dos agrestes, dos sertões e reunidos de forma a fazer refletir sobre os vínculos de aproximação e distanciamento entre eles. 

 

As temáticas abordadas são diversas, porém nos deparamos de diferentes formas e contextos com a importância do território para o ciclo dos afetos, do trabalho, da memória, saúde, enquanto campo político e manutenção da vida. Nos encontramos com um provocante mosaico de reflexões sobre as nossas existências enquanto parte do universo que está organizado sistemática e majoritariamente de determinada forma, mas que nos faz pensar que outras formas de organização são possíveis e mais respeitosas com a vida.

 

Nas andanças pelas colheitas das mostras e festivais interioranos de Pernambuco nos encontramos constantemente com filmes que caminham por esse mosaico reflexivo e que carregam consigo a referência ao que veio antes, de onde se vem e para onde caminhamos. Nesta seleção também nos encontramos com rastros dos fazeres cinematográficos numa pandemia e tudo que ela nos provoca, coloca em destaque na tela. O que é essencial(?).

 

Que este aqui seja um dos tantos momentos de encontro entre esses filmes e os públicos de todo o mundo. O convite à reflexão está lançado e desejamos que vocês façam uma ótima viagem pelos interiores de Pernambuco. No mais, agradecemos a cada realizadora e realizador que permitiu que seu filme compusesse essa mostra. Estejamos juntes, conectades e que a reflexão possa gerar ação. Boa sessão para todes!

Amanda Ramos

 

 

Mostra Internacional

 

I have the honourable task of curating the “International Selection”. My name is Oliver Stiller, I am a filmmaker for feature films and documentaries and former winner of the Seu Zé Award at FestCimm.

I was very happy to get the opportunity to curate this awesome selection. I can vouch for every film that was selected here, it’s fair to say that I fell a little bit in love with each of these so different works from emotional drama to intimate documentary, commuting from sometimes hard reality to chances to overcome, from action to the voyages to the unconscient, stories to laugh to the very mysteries of life regarding from the most surprising perspectives you can possibly imagine. 

 

I am glad to be able to do the pre-selection and not have to make the so difficult decision for the one and only winning film. For all of you: Enjoy this selection! 

 

 

„Death Offers Life – last moments of Vincent Van Gogh“ is a fictional play about the artist who lived in the 19th century. The film confronts him with the personified death. 

The film is based on an amazing idea. Saher Abbas freely combines an own concept of afterlife with the artist’s biography. The way the artist’s reacts to the death’s quest is simply clever.  

 

„Kukli“ is a stylistically finely directed, sensitive film about a little girl growing up in a financially poor Indian indigenous community. Pukli’s unquenchable curiosity is known throughout the village. She has a question to ask that should affect all humanity.
The concern of a young person, regardless of where and how she grows up, for the warlike developments in the world is the strong message of this film of Shyama Sundar Majhi.

„Letter to my mother“ is an autobiographical documentary film about sexual violence against a child.
The film provides a radical insight into the inner life of the protagonist who is the director herself. The film is extremely close to the person in the process of breaking the silence.
Amin*a Maher lets the viewer participate in a very open and at the same time intimate way in the exploration of questions about one’s own being, becoming and the development of one’s own personality.
The very existence of the film „Letter to my mother“ is a big step not only for the filmmaker.   

Dana Durr created a beautifully entertaining and artistic work that evokes emotion in its entirety with the tools of animated film. „Mariam“ is an entertaining poetic animated film about life and care, but also the loss of paradise. 

 

„Anagnorisis“ is a very mature work about an empathetic doctor who wants to explore the inner lost world of a patient. After decades, the two manage to solve a long-forgotten mystery. A calm, beautiful and tragic poetic film by Arturo Dueñas. 

 

José Leon gave us „Decline“, a well-acted and technically well produced drama about a former cyclist who originally wants to earn money for an artificial leg by selling drugs. But his accident and his new way of earning money have changed him. The drama is convincing and offers spectacular action scenes. 

 

„Stimuli“ is an empathetic film about a coma patient who has been without conciousness for over ten years. Kaan Orgunmat’s portrayal of the person’s vivid inner worlds is poignant and visually compelling in a way that one has probably never been seen before. Stimuli vividly achieves the feat of creating a kind of understanding for a barely explored world. 

 

A cheerful film in a style you probably haven’t seen in your life: „Snake Oil“ is a compelling comedy about the protagonist’s adventurous quest for the American Dream. The fast-paced film of Remy Archer is a gem and inspired by the visual style of Buster Keaton’s films. The visually stunning adventure film is set in London and in a desert of the USA. 

 

 

 

Oliver Stiller

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